domingo, 30 de julho de 2006

"não vai ser só por uns tempos"

a casa era uma caixa cheia de lágrimas: eu era pequeno e masturbava-me em frente do roupeiro até que uma dor me rasgava por dentro, o sémen a despertar pela primeira vez, o pénis erecto, a mão a hesitar entre parar ou prolongar a dor: a casa era uma caixa de silêncios onde as pessoas escorregavam pelo chão com os pés tão pequenos e sem equilíbrio.

a casa, lágrimas: domingo à tarde e sais do centro comercial a chorar por debaixo das lentes escuras, está calor e toda a gente foi para a praia, dentro do carro sentes os olhos abafados e custa-te a respirar: a casa, o silêncio: na tela um rapaz corre por outra cidade e termina o filme a olhar uma baleia que ataca uma lula.

chora: não sabes bem como fazer estas coisas, apetece-te desfazer-te no meio da rua, ou no meio de ti, estás frágil como as folham ficarão no mês de Outubro, corre-te pela cabeça numa velocidade desvairada uma série de pensamentos que sabes não poder controlar: cala-te: sim, cala-te, não digas nada, fica quieto, parado: chora.

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