segunda-feira, 31 de julho de 2006

kinkin

era para tu veres o meu sangue a espirrar na parede da sala, tanto branco, disseste tu da primeira vez que lá entraste, e eu sorri e pensei que podíamos ser felizes os dois, ali mesmo, naquela varanda virada ao sol da uma da tarde o verão inteiro.

era para tu veres o meu corpo pesado a cair no meio da sala, já arredei os móveis para os cantos, já não tenho aqui a mesa grande, já não faço jantares, só deixei um sofá, os fantasmas sentam-se bem no chão e podem passar semanas inteiras em pé.

era para tu veres o meu amor a expirar finalmente e a sair, de sapatos na mão, de dentro do meu corpo quieto, pareces um anjinho, dizias tu quando me vias dormir, até ao dia em que tiveste medo de me acordar do sonho de estar demasiado apaixonado por ti.

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