domingo, 4 de junho de 2006

transacção

o que eu tinha por garantido agora já não tenho e é como se sentisse uma liberdade intensa de fazer o que bem me sinta capaz de fazer. talvez seja por isso que me descalço e ando de um lado ao outro da casa com as mãos pela parede. está calor, está muito calor. dispo a minha roupa e coloco os pés bem próximos um do outro. faço-os o andar num movimento repetido.

a minha cabeça dói-me, às vezes. as minhas costas, os meus ombros, os meus braços, as minhas mãos, as minhas pernas também. é como se o meu corpo estivesse envolvido numa rede de conexões sensíveis que pudessem desenvolver mecanismos de reacção algures pelo meu corpo consoante o tipo de nexo criado entre acontecimentos, estado de espírito e lugar onde me encontro.

o que eu não tenho por garantido é qualquer coisa que vai acontecer depois e o depois é sempre o momento a seguir ao que eu identifico como meu. o que eu não tenho por garantido é o que eu vou pensar ou o que me vais dizer a seguir, é o que me vai doer a seguir. nenhum mapa que eu possa criar me dará alguma solução para isto (os percursos, as dores, as paredes, a casa). talvez não exista sequer solução. de uma ou outra maneira, não a procuro sequer. um pé bem próximo do outro.

2 comentários:

  1. a insuficiência dos mapas é a vida que acontece
    ( boa noite )

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  2. Pois é por isso que nunca tenho nada como garantido ;-) arrisco-me a cair. ;-) e «nenhum mapa que eu possa criar me dará alguma solução para isto» :-)

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