segunda-feira, 5 de junho de 2006

onde se fala de esplanadas, relações e imprevistos

a história conta-se assim - eram três da tarde e um sol que nos torrava o espírito, sentados numa esplanada no meio da cidade, o barulho dos carros e a nossa pele ameaçada pela intensidade dos movimentos que se repetiam à nossa volta. a história conta-se assim - eu tinha uma camisa verde e o cabelo muito bem cortado, tu tinhas um olhar que não era igual a nada que eu tivesse experimentado.

a história - rapaz conhece rapariga, olhares trocados, frequentadores da mesma esplanada, uma cidade grande, aquele sentimento de solidão que não despega nunca, aquela esperança de ver girassóis a crescer nas calçadas da cidade. conta-se assim - um dia eu chego junto de ti, pergunto-te o nome, trocamos telefones, sorrimos muito, colocamos os óculos em cima da mesa, parecemos sincero, vamos para casa.

a história conta-se assim - eram três da tarde e a tarde inteira pela frente, os lábios de cada um a moldarem-se a palavras que insistíamos inventar e garrafas de água com gás muito frescas a enfeitar a mesa, no meio dos papéis que rabiscávamos. a história conta-se assim - de maneiras que às vezes não conseguimos bem explicar, surgem na nossa vida situações que preferimos não controlar. e a história continua.

2 comentários: