terça-feira, 20 de junho de 2006

expeditur

tenho frio e o meu corpo treme, semelhança de ataque cardíaco sobre a mesa da sala, pequenas estatuetas africanas que caem para o chão, as folhas riscadas, cartas da edp, e todos os minutos de um relógio digital a reflectir nas lentes dos meus óculos. tenho frio, tenho fome e sede, e tu não estás.

tenho frio e ninguém me entra pela porta dentro, apesar de quando olho em volta, para as minhas coisas, tudo me parecer estranho e eu ser até capaz de jurar que alguém aqui esteve, vivendo a minha vida por mim, durante alguns minutos dos quais já me esqueci. tenho frio, tenho fome e este mar, onde tu não estás.

tenho frio e quem te poderia adivinhar o sorriso senão eu, no exacto momento em que caía da mesa ao chão, corpo sem forças e sem rumo, tensão inacabada, olhar discreto, porque já está para se fechar, porque já perdeu alguma vida, porque já quase morreu. tenho frio, este mar cheio de ondas, e tu não estás.

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