quinta-feira, 1 de junho de 2006

dia da criança

disseste-me isso ao ouvido como se me condenasses e não sabias que eu passava os dias inteiros segurando-me a vontade de me masturbar em toda a parte. trazia comigo aquele rasganço dentro do estômago, e seria como tomar calmantes, comprimidos, sossegar por uns segundos depois daquela ejaculação só água do costume. disseste-me isso ao ouvido.

eu estava com as mãos afundadas nas caixas de fotografias à procura de uma qualquer resposta do tempo em que eu ainda era (visivelmente) uma criança- isto porque penso que algures a minha feição deve ter mudado, algures eu deixei de ser uma menina sonhadora e calada e terei começado a ouvir os gritos e os estrondos das outras vidas dentro da minha cabeça.

como se me tivessem condenado, enfim, a estar sempre a viver tudo ao mesmo tempo. e nas fotografias não aparece o homem de pedra nem o boneco que subia ao armário porque simplesmente eles não estavam ali. sempre estiveram dentro da minha cabeça, projectados pelos meus olhos. e agora vens condenar-me por me recusar a tomar a medicação, por só querer baixar a mão dentro das calças e parar-me, parar-me, como se páram os filmes.

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