segunda-feira, 29 de maio de 2006

you must be dreaming (fotografias - 2)

até já cheguei a pensar que o meu olhar poderia ser uma câmara fotográfica e que do bolso podia tirar as imagens impressas em papelinhos com linhas nas costas, para escrever poemas. até já cheguei a pensar que os dias poderiam começar com asinhas nas orelhas e levar-me para uma esplanada, em frente ao mar, onde passasse pela minha retina o filme das fotografias que tirei na minha vida inteira.

também já cheguei a pensar que os meus dedos eram tesouras e que eu podia recortar pedacinhos de todas as coisas do mundo que eu gosto muito muito e guardá-los num caderno que iria crescendo consoante a quantidade de pedacinhos, sendo no início um caderninho capaz de caber no bolso de uma camisa e no fim um caderno só transportável em grandes camiões que andam pelas auto-estradas.

e cheguei mesmo a pensar que os meus pés eram remos e que podia caminhar pelo mar e pelos rios sem nunca nunca parar. e o que podia fazer era tirar fotografias e fazer recortes de todos os lados do mundo, porque a remar sobre a água não havia quem me parasse, ai isso eu quase que aposto. e depois eu ia e vinha quantas vezes eu quisesse, e já nem grandes camiões poderiam levar o meu caderno nas auto-estradas.

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