quinta-feira, 25 de maio de 2006

sem título, dedicado.

deixa-me que te diga ao ouvido:
eu vou fazer o que tem de ser feito, mas ao contrário, pegar nas tuas roupas e embrulhá-las em papel pardo, sair a correr pelas arcadas até encontrar a praça principal e, sem que ninguém me veja porque é de noite, atirar-me ao lago, refrescar-me, refazer-me.

deixa-me que te diga ao ouvido:
eu vou nascer outra vez na noite que vem e sair de dentro de mim e de ti como quem sai de uma cama sem saber para que lado da casa se virar, porque nunca se tinha dormido ali antes, ou melhor, nunca se tinha acordado, tu percebes o que eu quero dizer.

deixa-me que te diga ao ouvido:
"aperto as tuas coxas, carne da tua carne, a minha língua sabe-te mas eu não te conheço", repetir-te uma vez mais ao ouvido, "a minha cara colhe as tuas lágrimas e esta cama muda range no silêncio", uma vez, uma vez mais, "ouvir-te toda a noite e levar anos e anos a sentir-te"


* citações de Armando Silva Carvalho

1 comentário:

  1. ( .................... suspensão .................................. pausa................ suspensão ..............!)

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