terça-feira, 16 de maio de 2006

replay - rewind

ela passava todos os dias, à mesma hora, pela porta da minha casa, ela passava todos os dias, à mesma hora, e eu vi-a detrás do cortinado, com um dedo na boca, à mesma hora, eu vi-a detrás do cortinado, e chamava por ela, muito muito baixinho, chamava sem que ela desse por isso, e chamava por ela, muito muito baixinho, enquanto ela passava todos os dias, à mesma hora.

ela sorria todos os dias, à mesma hora, em frente à porta da minha casa, ela sorria todos os dias, à mesma hora, fazendo-me pensar que já sabia, pensava eu para comigo, ela já sabe que estou, fazendo-me pensar que já sabia, pensava eu que podia sair também à rua e tirar o chapéu quando ela passasse, podia sair também à rua dizer-lhe olá, enquanto ela sorria todos os dias.

ela voltava todos os dias, à mesma hora, de olhos fechados pelo vento da esquina da minha casa, ela voltava todos os dias, à mesma hora, e eu vi-a detrás do cortinado, com um dedo na boca, à mesma hora, eu vi-a detrás do cortinado, e ficava no silêncio, muito muito encolhido, e ela de olhos fechados, eu ficaba no silêncio, muito muito encolhido, enquanto ela voltava, todos os dias, à mesma hora.

3 comentários:

  1. espero que alguma hora alguem diga alguma coisa.
    beijos brazil

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  2. (do brasil...meu Deus!!)

    Tens música naquilo que escreves.
    Vir aqui faz bem à pele :)

    abraço teletubico

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  3. Ah, o Brasil. Tem música, música sim. Aperta o peito esse acalanto neurótico!

    Não tenho tido tempo para o MSN mas estou sempre passando por aqui.


    Bjs!

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