sábado, 27 de maio de 2006

pode não responder porque se encontra no estado Ausente

deixei um copo de água sobre a mesa da cozinha e saí [a porta fechada com cuidado] enquanto tu ainda dormias tão bonita sobre a cama, os cabelos espalhados pela almofada, o sorriso infantil no sono quieto [depois da noite toda tanto grito tanto gemido] e, do lado de fora da janela, os passos de alguém que sai de casa para o trabalho ou chega a casa da noite passada.

fechei a porta com cuidado, não fosses tu acordar e perguntar-me [o que fazes aí ao canto do quarto assim vestido?] se eu voltava mais tarde ou amanhã, levei na mão um saco com algumas coisas que fui trazendo para tua casa [mobiliário miniatura: livros discos um isqueiro] e desci as escadas a pé, sim, a pé, qualquer solenidade momentânea me impediu de entrar no elevador.

do lado de fora da janela, com o calor inteiro destas manhãs de início de verão [coisas a que não estamos habituados boca seca], acendi um cigarro e abri um botão da camisa deixando o peito aberto [nada de balas nem de frases feitas calor só] para que passando debaixo da tua janela [do lado de fora] eu pudesse talvez imaginar que te ouvia a chamar o meu nome [do lado de dentro].

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