segunda-feira, 1 de maio de 2006

olhares

era o desespero ou o encontro de olhares numa tarde que se fazia fria com o tempo - melhor assim, pensaste tu, enquanto vestias o casaco e te preparavas para ir embora, uma vez, uma vez mais - mas depois era isso, era isso mesmo, os olhares que se trocam mesmo quando os óculos escuros ou as línguas tão díspares, o cabelo levado pelo vento, os braços cansados, os contos de fadas ainda todos por começar.

era o desespero ou a mania de olhares para todos os lados mesmo quando estás acompanhada, um café e uma água com gás fresca, se faz favor, é um euro e setenta e cinco, pode pousar aí, do lado debaixo do muro a praia, eu a ler jornal e mais quinhentas pessoas penduradas nas nossas recordações, um título maior que o outro, os teus olhos - que atenção-, os erros dados na tipografia, mensagens de amor nervoso mas com todo o sabor que o amor deve ter.

era o desespero ou um bilhete de autocarro que nunca mais chega, é feriado, tudo bem, podes estar descansado, a que horas combinaste o jantar?, ganhar algum dinheiro para a renda, a reforma e o subsídio de desemprego, deixar o negócio e ir embora, quinze dias de férias e o subsídio, os olhares, os óculos, as borboletas, as malas feitas, os beijinhos, as recordações, ou isto tudo de outra maneira qualquer, num livro esquecido na esplanada em frente ao mar.

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