sexta-feira, 26 de maio de 2006

ficar em casa

trancou a porta com toda a força que encontrou nos punhos e respirou com inquietação. merda, merda, era o só o que andava por dentro da sua cabeça, apetecia-lhe dar pontapés pelas paredes e na mobília. foi até à janela da sala e colou a testa no vidro, tentando receber algum do frio que estava do lado de lá da matéria. as asneiras aos saltos no jardim dos cabelos.

trancou a porta, procurou nas gavetas da cozinha algumas facas mais afiadas. tirou dos armários copos e pratos, algumas chávenas, latas de atum. sentou-se no chão e tentou fazer um plano. havia demasiado barulho dentro da sua própria cabeça, demasiada confusão para perceber o que é que poderia fazer primeiro. a única solução é fazer tudo ao mesmo tempo.

trancou a porta, mais uma, agora já parecia um restinho de cebola dentro de casca dentro de casca dentro de casca. começou a partir a loiça e a fazer montinhos de cacos do tamanho do seu corpo pelo chão.deixou-se cair muito devagar, as costas a sentir aquelas pequenas falhas que lhe entravam pela pele. olhou com muita atenção a lâmina da faca e trancou a porta.

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