quarta-feira, 19 de abril de 2006

three pounds

car le monde c'est comme ça, faz de mim o teu saco de porrada, faz, quero lá saber, eu a dançar em cima do ringue, e os teus punhos pequeninos a acertarem em cheio, no meu peito, nas minhas ideias, na minha boca, faz de mim, sim, o teu saco de porrada e paga-me um café antes de saíres da minha vida.

le monde, le monde, falas em francês e chutas na minha canela, bola para canto, e as tuas lágrimas que caem como crocodilos, ainda te podia dizer, não gosto quando me falas assim, mas no entanto, podes falar, diz, diz, que assim eu aprendo mais duas ou três palavras e fica mais fácil de me esquecer de ti.

car le monde, e os teus punhos, a acertar a acertar, faz de mim o teu saco de porrada, faz, faz, quero lá saber, eu a dançar em cima do ringue que são as ruas desta cidade, apetecer-me voltar a pé para casa, pedir um cigarro a um desconhecido, cuspir no chão, a minha vida e um resto de sangue, um resto do café que me pagaste.

4 comentários:

  1. "...podes falar, diz, diz, que assim eu aprendo mais duas ou três palavras e fica mais fácil de me esquecer de ti..."

    Lindo! E servem de complemento as tuas próprias palavras:

    "não te deixes assustar por palavras:
    as palavras nunca feriram ninguém de morte.
    teme antes os lábios que ficaram por beijar
    e a pele que não cheiraste."

    ;)

    Beijo

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