sábado, 8 de abril de 2006

teclado

ou não era nada disso que eu queria dizer porque pensava que vinhas no outro dia, não neste em que vieste e que aconteceu não me encontrares. porque o suposto eras teres vindo no dia em que combinaste embora eu também saiba que o suposto é uma roleta onde só algumas vezes acertamos. e isso e agora eu aqui a comer amendoas e a pensar que o coelho que chega na páscoa tem as orelhas empinadas ao contrário de todos aqueles coelhos já sem pele que comia ao almoço e ao jantar com arroz e ervilhas. talvez não fosse por isso, ou por isso mesmo, que ao andar por uma lisboa adormecida, entre os funcionários da câmara e a procura de lugares de estacionamento em contra-mão, eu desse com um palacete cheio de gente amiga que me recebeu como se eu fosse um primo da casa e pôs sumo e bolinhos em cima da mesa da biblioteca. era isso e era alguma poesia lida em voz alta a fazer eco com as motoretas que passavam a rua a descer e ainda seriam capazes de encontrar vizinhas bonitas a espreitar das janelas. era tudo isso e uma vontade de dizer que quero ficar aqui a noite toda misturada com uma sensação de quero ir-me embora mas não para a minha casa, as pessoas telefonam umas às outras e algures em largos como este já se fizeram revoluções. bastava pouco, bastava muito pouco para me fazer feliz outra vez, nas horas úteis.

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