segunda-feira, 17 de abril de 2006

primeira estação

é dificil saber de mim, serei homem ou borboleta, qual das partes do meu sonho eu não posso tocar quando chega a luz do dia às paredes do meu quarto? é dificil saber de mim, quando caminho à beira do vasto mar, onde os meus pés se sentem frescos porque são pela água beijados ou porque são asas a bater ao sabor do vento. é dificil saber de mim.

é dificil delimitar o sonho, tantas horas passadas no mesmo momento em que, acordando/adormecendo, eu me reencontro com o que era antes. é dificil delimitar o sonho, árvores que descem pelas escadas da casa, um peixe que me abraça ao ver-me chegar, as horas sempre desacertadas dos ponteiros dos relógios. é dificil delimitar o sonho.

é dificil encontrar a corrente, quando os teus pés/asas levantam voo/assentam sobre um chão de pó e fósseis de antigos amores. é dificil encontrar a corrente que te pega pelas mãos e pelas antenas, que te deixa incerto perante o sono, a boca que deseja falar e não consegue, os sentimentos todos os mesmo tempo repartidos. é dificil encontrar a corrente.

3 comentários:

  1. Há várias correntes no mar. Não encontrando uma, podemos encontrar outra, quem sabe. Ou até um remoinho. :) (bonito texto, mais uma vez)

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