quarta-feira, 26 de abril de 2006

mão

pegar-te na mão e encontrar, ao fundo, o banho onde nos recomeçamos, como recomeçam as pequenas histórias de amor inventadas nos livros infantis. recorrer, sempre, às palavras certas, dizendo-as baixinho para não assustar. ter, no tom de voz, a afirmação total do nosso encantamento. estas e outras coisas, tão leves, tão leves.

pegar-te na mão e num lápis, inaugurar páginas outrora brancas com letras e riscos que te fazem sorrir por longos minutos refractados na minha imagem do mundo. recomeçar, recomeçar, fazer-me acreditar que tudo é possível, porque, de facto, tudo é mesmo possível. abrir os livros uma e outra vez e em todos os lugares seres tu quem me aconchega.

pegar-te na mão e saber que aquele momento explode nos nossos corações como uma festa de aldeia. ouvir a tua voz de encontro à minha, abraçar-te. sentir devagar, como devagar se nasce e morrer, as saliências da tua pele. reconhecer-te como um mapa que trago dentro da cabeça, onde me entrego e nunca, nunca, me perco.

2 comentários:

  1. Continuas imparável... :)Escreves com o coração e para os corações que te lêem.

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