terça-feira, 11 de abril de 2006

m.e.d.o.

és capaz de imaginar o mar, daqui de onde nos sentamos, com este rio imenso que quase nos beija os dedos dos pés, se estivessemos descalços? eu talvez consiga procurando na mestria das palavras, uma qualquer coisa com sentido para te dizer. até lá, vou ficando embriagado pelos teus olhos quando se fixam num ponto além rio, e ao teu lado faço a geometria da tua existência. as minhas mãos, tenho-as presas uma na outra. queria ser capaz de chegar até ti mas tenho medo.

és capaz de imaginar o futuro, os dias onde vamos estar crescidos e fardados, com esta tarde que cai calma sobre os nossos ombros? rimo-nos um do outro aos pedacinhos enquanto tu vais tirando cigarros da tua mala. eu deslizo os meus olhos chorosos pelo teu pescoço e deixo-me cair na armadilha do decote. a minha cabeça parece chegar-se a ti, querendo sentir o teu cheiro, o toque dessa pele que me chama. nas mesas do lado, os homens falam muito alto. eu quero chegar a ti mas tenho medo.

és capaz de me pegar na mão e levar-me para onde tu sabes que ambos queremos estar com todas estas escadas até encontrarmos uma saída? atravessamos a estrada e a minha vontade era suspender o tempo e, de repente, não ser mais nem domingo, nem segunda, nem terça, e não haver nem jantares nem alguém que nos espere, ouvir este barulho da água no repuxo é tão bom, e os teus olhos, a tua pele, que me chama, que me queimam, e eu quero estar em ti mas tenho medo.

4 comentários:

  1. Muito bom este texto, Luís! Continua!

    Abraço
    Da tua leitora fiel

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  2. nos meus sonhos, eu não tenho medo.
    beijos do além

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  3. "...e os teus olhos, a tua pele, que me chama, que me queimam, e eu quero estar em ti mas tenho medo."

    Gosto da forma como "brincas" com as palavras. Muito bom.
    Beijo

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