terça-feira, 4 de abril de 2006

contribuição para o conceito de lugar

este peso do e-mail outra vez, do e-mail que não chegou, a televisão ligada no primeiro canal e um cigarro a apagar-se sozinho no cinzeiro, os olhos que se fecham e abrem muito devagar, com pequenas lágrimas de cansaço, este peso do e-mail outra vez, do e-mail que não chegou, as mãos muito muito vazias que ainda há pouco pareciam juntar-se e apontar a uma oração, que ela esteja agora a escrever qualquer coisa, que ela esteja agora a sorrir e a pensar em mim, as mãos muito muito vazias destas coisas que se repetem como nos filmes, mas ao contrário dos filmes aqui nada acontece, as mãos muito muito vazias e logo, este peso do e-mail outra vez, este peso do e-mail que não chegou.
a televisão ligada no primeiro canal e um cigarro a apagar-se sozinho no cinzeiro, os olhos que se fecham e abrem muito devagar, com pequenas lágrimas de cansaço, as mãos muito muito vazias, tão vazias que parecem cada vez mais magras, cada vez mais magras e sós, vazias, a televisão ligada no primeiro canal e alguns erros ortográficos naquilo que se escreve, os olhos que se fecham e abrem muito devagar e o peso daquele e-mail outra vez, daquele e-mail que não chegou, uma ou duas coisas por dizer, as mãos magras e sós, muito muito vazias, o peso do e-mail, sim, e a televisão ligada no primeiro canal.
um cigarro a apagar-se sozinho no cinzeiro, os olhos que se fecham e abrem muito devagar, com pequenas lágrimas de cansaço, as mãos muito muito vazias, tão vazias que parecem cada vez mais magras, cada vez mais magras e sós, que ainda há pouco pareciam juntar-se e apontar a uma oração, que ela esteja agora a escrever qualquer coisa, que ela esteja agora a sorrir e a pensar em mim, o peso deste e-mail, deste email que não chegou, vinte e sete anos o peso deles, um cigarro a apagar-se sozinho no cinzeiro, os olhos, o peso, as mãos vazias, as mãos, vinte e sete anos e tudo deles, ainda deles, este cigarro a apagar-se sozinho no cinzeiro.

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