domingo, 23 de abril de 2006

borboletas

acordar e, nos meus olhos, borboletas nos teus cabelos - pode ser do escuro, da música, da conversa - borboletas, presas, e o teu pescoço - branco branco branco - que eu estudo com o vagar das batidas dos dedos no tampo de madeira enquanto com a outra mão pego num copo que se vai esvaziando na medida em que todo em volta fica ainda mais quente.

acordar e, nos meus olhos, borboletas que falam - os teus cabelos - e também uns quantos homens de barbas a subir e a descer ruas, a música na rádio, os teus olhos de encontro aos meus, os meus olhos que fogem à procura de respirar, o teu pescoço - branco luz branco - que eu trago em sonhos que não posso confessar a mais ninguém que me perceba.

acordar e, nos meus olhos, borboletas que sorriem - como sóis, quentes e naturais - amanhã de manhã qualquer coisa de igual, o dia à espera de um sinal, a tua voz no gravador de chamadas, os teus dedos a enrolar papéis, o teu pescoço - luz branco luz - e eu a perceber que mesmo as asas mais pequenas são capazes de te levar para muito longe de mim.

1 comentário:

  1. Bolas que é muito bom :)
    Devia estar no Prazeres, é o que é...
    Abraço

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