sábado, 1 de abril de 2006

because my heart is still mine

fizemos as despedidas naquele café, sem que ninguém desse por isso. ficamos ao balcão os dois, ao lado de um senhor que fumava ao olhar para o futebol na televisão, e logo começamos a deixar correr as coisas que não tinhamos tido tempo para nos dizermos nas últimas semanas, de como eu tenho tanto corrido para todo o lado sem razão, de como te tem sido pesado abandonar uma cidade que não te trouxe quase nada. fizemos as despedidas naquele café, sexta-feira à noite, no meio das conversas dos outros que falam muito mais alto do que nós. tu a inventar aos pedacinhos um futuro para o qual não sabes ainda que força reservar, eu a fazer contas, baixinho, aos dias que ainda vou ter que repetir na mesma máquina fotocopiadora. fizemos as despedidas naquele café porque, para nós, tudo passou demasiado depressa. foi depressa que nos fizemos próximos, dando ao outro os segredos que insistimos em pensar que nunca vamos dar a ninguém, partilhando os lugares nas salas escuras dos espectáculos e umas quantas centenas de palavras dentro do teu carro, à porta do meu prédio. tudo passou demasiado depressa porque fizemos as despedidas naquele café e agora parece que acabou, tu a ir embora para uma outra terra bem longe daqui, bem longe do logo à noite à mesma hora no local do costume. mas também ninguém notou porque sabemos que nos vamos voltar a encontrar.

1 comentário:

  1. Assim parece doce... mas então porque tenho sempre tanto medo das despedidas?

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