sexta-feira, 24 de março de 2006

de regresso ao passado

cerveja e rebuçados, olho o relógio, meia-noite, quantas vezes tenho que te dizer isto, uma peça de fruta era melhor, sou tua vizinha, porra, porque não me beijas, promete-me o amor eterno e eu serei teu para que aguente; vou ter cuidado com as cáries e com as camisas de vénus, vou fazer descer o elevador e bailar no pátio em cuecas na hora em que chover ainda mais forte. isso isso e mais o quê.

trinco o rebuçado e digo-te baixinho pelo telefone que me apetecia atar-te à cama - uma viagem até lisboa, de carro, e um tipo ao meu lado que me diz, sexo virtual, fixe, a música baixinho, noivas e namoradas, cai neve em nova iorque, chove no palco do teatro, uma peça de fruta era melhor, eu tenho cuidado com as cáries e com as camisas de vénus, chupo devagarinho o doce frito e vou deixar-te uma vez mais à porta do metro.

cerveja e rebuçados, o canino no centro do rebuçado que se abre em dois e três e mais bocados, estava a pensar numa conferência de imprensa, num dia nas corridas, e a chuva a bater com ainda mais força no vidro do carro, casas grandes e bonitas, a paisagem, eu tenho cuidado com as cáries, com as camisas de vénus, mas há quantos dias nem um médico ou dentista, escrever para a revista maria e perguntar pela verdade das coisas.

era isto e toda a poesia do mundo, sangue a escorrer-me pelas bochechas e uma música antiga, dizer mal de quem nos apetece dizer só porque mil anos de história da família não chega para nos fazer melhores papás do que aqueles que tivemos, estamos todos ressentidos, depois dos ressequidos que fizeram da biografia uma coisa igual às outras, pote antigo guardado na dispensa, um silêncio que não se aguenta.

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