segunda-feira, 27 de março de 2006

agenda

eu o tempo todo aqui e este braço esquerdo que eu estico para a esquerda, a mão aberta a mão fechada, os dedos a apontar em direcções diferentes. uma porta, a porta a porta, a bater lá no fundo da casa, andar pelos corredores como que acompanhado, saber sempre de onde vêm os barulhos, ter uma agenda, ter um lugar para cair, ter o teu número de telefone. eu o tempo todo aqui e estre braço esquerdo. ponho o braço debaixo do braço e saio para o café.

eu o tempo todo e esta cidade desconhecida, uma e outra vez ao mesmo ritmo dos sapatos e de dois ou três senhores que se curvam de chapéu na mão. o jardim, sim, há sempre algures um jardim, e então os pés na terra, marcas da sola ali no chão, para ficar até que venha a chuva ou uma escavadora para abrir um buraco tão grande, ali, no meio da praça, que as pessoas começam a apanhar o túnel no lugar de apanharem o autocarro. eu o tempo todo e esses olhos gulosos.

eu o tempo todo e três segredos nos teus lábios, fazer a curva apertada e ouvir o carro aos guinchos, cair em mim de verdade porque é cedo ou porque é tarde, quantas horas enfim por contar. puxar três cadeiras e falar com sotaque, não levar a sério a discussão do fim do mundo em que vivemos, querer, porque se quer sempre qualquer coisa, neste lado de dentro que tem posters e animações por completar. eu o tempo todo e não saber nunca mais de ti.

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