quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

par de óculos

cheguei a horas ao café e comecei por te dizer uma quantidade de coisas de que me esqueci- é assim que eu me faço a cada minuto. ter ou não ter acesso ao papel de um jornal é daquelas coisas que me te fere mais que a morte, eu sei. mas as minhas frases não têm tanta noção do tempo e do espaço como os dedos finos do teu carinho sobre a minha nuca. penso agora: quando estamos longe de casa tudo nos parece tão perto, as outras cidades têm uma organização muito mais liberta do que a nossa. esta coisa de não ter hábitos de colocar os pés nesta ou naquela rua, o não conhecer nenhum café e nenhuma dona de papelaria, o não ter alguém que me chame pelo nome a meio da tarde. tudo isto dá-me um sono muito grande, sinto-me engolido pela face do tua chegada em cima dos meus dedos. alguma destas coisas, era o que eu te quereria dizer.

2 comentários:

  1. Feliz descoberta este blog! Passarei por cá mais vezes!!*

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  2. parabéns por outro espaço. escreves muito bem. por vezes leio apenas para tentar aprender...
    mais uma vez, parabens :)

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