segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

lua cheia

noite de lua cheia, foi isso que disseram algum tempo antes, o rabo pesado no sofá e a cabeça sem posição, os olhos miopes no televisor, às tantas tudo verde, tudo tudo verde, noite de lua cheia alguém a dizer, ainda havia outra altura qualquer um luar e campismo qualquer coisa assim, mas, não era bem isso o que importava agora porque o pensamento estava no sofá e a cabeça sem posição, a cabeça ou o corpo

o corpo o corpo o corpo
qualquer coisa mal organizada mas uma pista no meio do nada para te dizer, tu sabes muito bem de onde eu venho mesmo que não vejas nada de nada do que foi o caminho, ninguém deixou pedacinhos de pão pelo chão, e as pedras são demasiado grandes e pesadas para se imaginarem rasto, ninguém poderá vir a seguir e dizer, uma pedra no meio do caminho, porque já nem pedra nem caminho, a noite, lua cheia e sozinho
sozinho sozinho sozinho
mas a lua cheia lua lua cheia era isso que importava ou as dores no pescoço ou as dores nas costas ou o telemóvel tão calado de nunca ninguém responder ou a lua cheia e as calças de pijama vestidas finalmente e a mão que procura o corpo o corpo o corpo sozinho sozinho sozinho era isso era, isso e uma outra qualquer coisa para dizer que o tempo acaba e acabou mas sempre ainda qualquer coisa a dizer e depois pronto, desculpa, lua cheia.

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