quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

óculos

a minha mão talvez não seja bem a minha mão a minha mão a minha mão. o teu tempo e o meu tempo não estão juntos, eu já imaginava isso. agora eu passeio com os pés na calçada, os sapatos largos de tão apertados. quantas vezes já pensei em ti desde que não te conheço. fiz uns desenhos pelos dedos molhados, com a nuca a deixar-se cair para o meu adormecimento. não faz sentido, não faz qualquer sentido. era sobre isso que eu te queria falar - exactamente a partir de agora.

tenho ouvido muitas conversas sem sentido e sem organização, desde que tenho este sentido mal apurado - a audição. podias vir mais tarde a olhar-me nos olhos, a beber-me dos lábios mas também não seria bem isso o que tínhamos para nos dizer um ao outro. andas de um lado para o outro a cumprimentar celebridades e eu não sei bem quem fazia o quê naquela fotografia. algures onde o fim se namorou com o início dos tempos, eu quero voltar a deixar marcado o meu pé- era qualquer coisa destas que eu queria dizer.

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